Gonçalo Almeida, advogado especializado em direito desportivo, falou em exclusivo com o Bola na Rede sobre os casos «Mourinho» e «Luís Suárez». Ele acredita que o futebol moderno evoluiu para um modelo em que os acordos são feitos primeiro a nível político ou pessoal e só depois formalizados juridicamente. Almeida afirma que a formalização ocorre sempre após as negociações, e as negociações ocorrem sempre, ou ele diria que quase sempre, entre os principais interessados. Neste caso, seria o Real Madrid e o José Mourinho. E depois, entre essas partes, acaba por ser uma terceira parte, muito importante no negócio, que acaba por ser contactada, que é o Benfica. Não faz sentido nenhum o José Mourinho contactar o Benfica sem saber se o Real Madrid o quereria contratar. Portanto, acho que neste caso, a normalidade imperou. Almeida também afirma que um acordo para um treinador assumir funções condicionado ao resultado de eleições internas de um clube tem natureza juridicamente vinculativa no direito desportivo. Ele acredita que haverá um acordo entre o Sport Lisboa e o Benfica e o Marco Siva, fazendo-se fé naquilo que a comunicação social divulga de que o Marco Siva será o treinador eleito. E nesse acordo estará uma salvaguarda. Esse acordo será válido, à condição de, efetivamente, o José Mourinho assinar pelo Real Madrid. E esse tipo de cláusulas contratuais são perfeitamente válidas a nível universal e reconhecidas pela FIFA.