O Benfica continua a despertar o interesse de investidores norte-americanos. O fundo Entrepreneur Equity Partners adquiriu 16,38% do capital social da Sport Lisboa e Benfica - Futebol SAD, que pertencia a José António dos Santos, também conhecido como o ‘Rei dos Frangos’. A agência financeira Bloomberg avançou que as 3.767.400 ações foram negociadas por um preço entre 10 e 11 euros por ação. Ou seja, a operação de 23 de abril realizou-se por um valor superior em 70% ao valor de fecho do dia anterior, quando cada ação estava em 6,46 euros, pelo que a venda pode render ao empresário entre os 37,7 e os 41,4 milhões de euros. Este negócio reforça a presença de capitais dos Estados Unidos na Benfica SAD, já que a Lenore Sports Partners detém uma participação de 5,24%, desde 2025. Na prática, os dois blocos de ações comprados por fundos norte-americanos representam mais de 21% da SAD encarnada. Para Jaime Antunes, empresário e assumido adepto do Benfica, há um problema de base que é “saber qual a motivação deste acionista para investir mais de 40 milhões de euros. Numa empresa que não distribui lucros, nem dividendos, tem de haver uma justificação”, disse o empresário, para quem “a transação de um bloco de ações desta dimensão devia ter sido concertada com o Sport Lisboa e Benfica. Era importante saber se o novo acionista tem uma estratégia compatível com a da SAD ou não. Devia ter havido uma discussão sobre o plano estratégico para saber se estão interessados em todas as áreas do futebol ou apenas na transação de jogadores. Nada disso foi clarificado pelos investidores, nem pelo Benfica”, frisou Jaime Antunes, que sintetizou: “O clube não faz ideia das intenções destes senhores”. Com esta aquisição, o fundo Entrepreneur Equity Partners torna-se o segundo maior acionista da SAD, a seguir ao próprio Benfica, mas a conclusão da referida operação encontra-se sujeita a aprovação prévia e o Benfica pode bloquear a entrada deste investidor no capital da SAD com base no Artigo 13.º. Os estatutos são muito claros, o Benfica pode vetar a entrada no capital da SAD de acionistas superiores a 2% se tiverem atividades relacionadas com o futebol profissional em Portugal ou no estrangeiro que sejam concorrentes com as do Benfica. “Este fundo é claramente um concorrente do Benfica, já que faz a gestão de recintos desportivos nos Estados Unidos e comprou recentemente o Veneza, do campeonato italiano”, lembrou, o antigo dirigente dos encarnados, que questionou: “Se surgir o negócio da compra um grande jogador para onde é que ele vai? Para o Benfica ou para o Veneza? Se existir uma grande empresa interessada no naming do estádio, esse negócio vai para o Benfica ou para outros clubes que o fundo pretende comprar na Europa?», e concluiu: “O Benfica não pode dar um salto no escuro, por isso deve vetar esta aquisição. O clube tem a maioria da SAD, mas não tem uma maioria qualificada de dois terços, por isso não é interessante conviver com um acionista que pode estar desalinhado». O empresário referiu ainda que: “O acionista José António dos Santos sabe que o Benfica tem o direito de veto, por isso devia ter tido o cuidado de dialogar antes de colocar as ações à venda. É uma questão de princípio”, concluiu. Recorde-se que, em 2021, o Benfica contrariou as pretensões do empresário John Textor, que quis comprar 25% das ações do Benfica por 50 milhões de euros, quando já tinha ligações ao Crystal Palace.